quarta-feira, 24 de junho de 2009

Expo Mecula: material capturado ( I I )

O Furriel Enfermeiro Rêpas da CCaç. 2707, está admirado com tamanho desta "seringa" !


Deste lote, já temos documentação, sabemos que foi material apreendido no ano de 1971 pela CCaç. 2707.

O objectivo deste blog é escrever com exactidão a história militar de Mecula, para tal é necessária a colaboração de todos aqueles que ainda tenham guardado nas suas gavetas documentos daquele tempo.
Aqui está um caso, em que duas fotos ( com anotações de datas no verso ) serviram para tirar as dúvidas ao gestor do blog.
Obrigado, Rêpas.

Quando Baltazar foi " às compras "...

Chamba era um posto administrativo fronteiriço, a norte do Candulo, junto ao rio Rovuma.
O Administrador de Posto, daquele tempo, chamava-se Sanches e costumava usar uma espingarda Winchester daquelas que se viam no cinema nos filmes do Texas!
A CCaç. 2706 colocava nesse destacamento um pelotão sendo a única força militar a assegurar a soberania naquelas paragens.
Imaginem os perigos que corriam, e no tempo das chuvas a fome que passavam... sózinhos a dezenas de quilómetros da sede da companhia.
Certo dia o alferes Baltazar e as suas tropas decidiram ir "às compras" a um dos "shopping_center", da Frelimo, do outro lado do rio.
Duma assentada trouxeram o saco cheio de material de guerra e compraram uma guerra!

Nos próximos "posts" os camaradas da CCaç. 2706 vão contar a verdadeira história dos "contrabandistas do rio... com jacarés à mistura"!

Quem mexe num "ninho de vespas", mete-se em sarilhos... óbviamente o pelotão que veio a seguir "pagou as favas"; mas essa é outra história para os próximos capítulos.

Nota: Retiramos as imagens deste post referentes ao material de guerra capturado, por informações de última hora documentadas pelo Rêpas; a maior parte desse material capturado foi o resultado de duas operações da CCaç. 2707 nos montes Jaús - ( Jaguar VII e Jaguar IX ).
Quando tivermos imagens referentes à operação de Chamba, serão publicadas neste post.

A marreta de chumbo

Costuma dizer-se que "a necessidade aguça o engenho", mas nem ao diabo lembraria.. em plena África profunda, fundir chumbo para fazer marretas.
Concerteza que havia no quartel algumas baterias velhas, naquele tempo ainda não havia "ecopontos"... e na forja da oficina auto fundiram o chumbo e com molde de areia lhe deram a forma.
Recordo-me que a marreta estava pintada de verde azeitona e até tinha o cabo envernizado.
O pelotão de sapadores tinha à sua guarda uma tenda de campanha tipo "posto de comando" e a dita cuja marreta fazia parte do "kit" das estacas das espias.
Um belo dia, quando vamos utilizar a marreta, ao enterrar uma estaca, logo à primeira martelada ficou a marreta espetada na estaca de ferro.
Afinal a marreta nova era de chumbo!
O alferes sapador que tinha (enfiado o barrete) ao receber a marreta do BCaç. 2880, mandou-a reparar e guardar religiosamente... para tentar entregar em 1972 aos camaradas do BArt. 3887.

Foi mais uma praxe aos checas, acabados de chegar... que terá acontecido à marreta no fim da guerra...... talvez os camaradas do BArt. 3887 possam dizer-nos qualquer coisa... se porventura a chegaram a utilizar!

Cavilhas de pau preto...

O Unimog "Pincha" da Mercedes com o guincho e cabo de aço


Nas entregas de material na hora da despedida há sempre alguém que usa a máxima de: " a tropa manda desenrascar"!
Por mais autos de destruição que se façam durante o tempo de comissão... e tantas minas a rebentar que dão para justificar tanta coisa... mas, na hora de ir embora havia sempre que faltar qualquer coisa... os checas querem conferir tudo peça a peça... pudera, acabam de chegar, tem todo o tempo do mundo a seu favor.

Na nossa primeira missão do pelotão de sapadores do BCaç. 2914 tivemos de regressar mais cedo ao quartel porque, ao tentar arrastar a primeira árvore com o guincho do pincha Mercedes, o aparato caiu aos pés de um sapador.

O condutor foi falar com o sargento mecânico e tenta justificar o sucedido; ele, condutor tinha tido todo o cuidado e cumprido todas as regras de segurança.
O sargento examina o guincho, desata à gargalhada e diz para o condutor: ó pá estás lixado, partiste uma cavilha de pau preto! O pior é que em Mecula não temos torneiro e a peça tem que vir da África do Sul !

Pobres checas!

Alguém do BCaç. 2880, tinha tido a arte e o engenho de nos "armadilhar" o carro e fazer esta "praxe" aos checas!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Expo Mecula: material capturado ( I )










Granadas de mão defensivas


Detonadores eléctricos


Este era o rádio onde o pessoal de Mecula passou a ouvir a "Voz da Frelimo", pois tinha as frequências exactas para o efeito.

Munições para canhão sem recuo




Com a ajuda dos camaradas participantes nas operações militares, oportunamente publicamos no blog a proveniência deste material.
A " Expo_Mecula" deve ter sido uma daquelas sessões da APSICO, realizadas pelos Pelrec...

Batalhões e Companhias em Mecula

Esta foto do "Felgueiras" - Grande Chefe de Cozinha da Messe - é um autêntico documento histórico, por ter sido tirada junto ao mastro da porta de armas.
Estão ali gravados os nomes de todas as unidades militares que passaram por Mecula até Maio de 1972.
Por ordem cronológica:
CArt. 636, CArt. 1595, CCaç. 1653, BCaç. 2836, BCaç. 2880, BCaç. 2914.

De 1972 a 1974, esteve o BArt. 3887; não sabemos nesta data, se foram os últimos a fechar a porta da guerra!