terça-feira, 2 de junho de 2009

A última missão do Alferes Vieira

Foi nesta avioneta "Dornier" que perdeu a vida o Alferes Vieira quando, conjuntamente com o Comandante do BCaç. 2914 - Major Barata Alves e com piloto da Força Aérea, participava numa missão de reconhecimento junto ao rio Rovuma.
Uma bala entrou pela parte de trás do assento, alojando-se nos pulmões do Alferes Vieira.
Por falta de autonomia de voo, a Dornier aterrou em Mecula onde passado pouco tempo um táxi aéreo fazia a evacuação.
Infelizmente o Alferes morreu durante a viagem para o hospital de Nampula.

Um Alferes de infantaria que tinha participado em várias operações com o seu pelotão sem ter qualquer problema, estava à data do acidente destacado em Mussoma a guardar a ponte do Lugenda ; acaba por morrer numa missão que jamais algum dia sonharia realizar!

Na caixa do correio

Boa noite, amigo Ernesto Fernandes.

A satisfação de ver tudo aquilo que em pouco tempo foi conseguido neste blog causou-me uma emoção de tal ordem que me impede de, para já, acrescentar seja o que for.
A única coisa que, de momento, tenho a fazer é felicitar-te pela brilhante ideia que tiveste e apelar a todos os camaradas para que contribuam na medida do possível de forma a registar para sempre uma página da história, a que, por modéstia, não chamarei brilhante, mas de que não temos que nos envergonhar! Antes pelo contrário, e

"PARA QUE A TERRA NÃO ESQUEÇA"

E somos nós, os felizmente vivos, que temos a obrigação de fazer esse trabalho, para que os nossos filhos saibam o que passámos e fizemos e para respeitar a memória dos nossos camaradas mortos em combate.

Brevemente me dedicarei a sério a este assunto, corrigindo alguns tópicos já apresentados, esclarecendo outros e disponibilizando tudo o que estiver ao meu alcance.

Um abraço

Sérgio de Jesus Rêpas

( Ex-Furriel Miliciano Enfermeiro da C. CAÇ. 2707 )

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mecula: o nascer do Sol

A geração dos meus filhos costuma interrogar-me sobre as razões que nos leva a nós veteranos de guerra, festejar em encontros e convívios a nossa chegada da guerra; afinal já passaram, nalguns casos, mais de quarenta anos.
Costumo responder-lhes:
Festejamos a VIDA!
Frente à morte na luta pela vida... era o pão nosso de cada dia, a razão da nossa luta, mas haverá razão mais forte que tentar sobreviver?

Se o objectivo militar era o de manter a soberania de Portugal sobre aqueles territórios, e dar tempo... a uma solução que um dia haveria de chegar... um militar manter-se vivo era já uma grande conquista!

Graças a Deus (para os crentes) ou felizmente (segundo os agnósticos), nós os que ainda hoje festejamos ficamos do lado da VIDA e tivemos a felicidade e oportunidade de ver nascer todos os dias este Sol em Mecula.

Quantos companheiros que hoje recordamos com saudade não tiveram a mesma sorte, houve um dia que o Sol em Mecula não nasceu para eles.

Pela minha parte enquanto estiver do lado da VIDA festejarei todos os anos e com todos aqueles que viram nascer o Sol em Mecula; sejam eles de qualquer, Batalhão, Companhia, etnia ou religião.

Este blog será a partir de agora mais um ponto de encontro, uma caixa de correio, o que vocês quiserem que seja, para os Amigos de Mecula.


Para quem já não se lembra: Mecula é no polo sul o sol nasce do lado contrário de Portugal, naquele caso nascia do lado da pista de aviação.

A autodefesa da população

Em principio não achamos muita piada, ver distribuir tantas armas... coisas da APSICO... algumas delas podiam ir parar a outras mãos...
Esta malta recebeu uma espingarda Mauser e deram fogo pela primeira vez na vida... alguns deles com pouca vontade de ficar com a espingarda... pelas razões conhecidas... outros achavam que agora quando fossem para o mato sempre podiam matar uma gazela...
O azar deles é que, as balas disponíveis da G3 era o calibre 7,62 não serviam naquelas armas, não era nada fácil arranjar munições.

Esta foto foi tirada na pista de aviação dando instrução de tiro com as espingardas, Mauser e outras mais antigas, distribuidas à população do aldeamento de Mecula ( 1970 - 1972 ).

O Governador vai ao Aldeamento

O Governador é recebido pela população no largo principal de Mecula

O Governador visita Mecula

O Governador do Niassa, no quartel de Mecula, ao lado do major Barata Alves

O oficial de dia (alferes de transmissões) cumprimenta o Governador.
O Comandante do Sector de Marrupa a sair do avião na pista de Mecula