terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os Engenheiros da Ponte do Lugenda

Os veteranos de guerra da Companhia de Engenharia 521, que teve a sede em Vila Cabral (Lichinga).

A Companhia de Engenharia 521 é oriunda da Escola Prática de Engenharia em Tancos. Era formada por 155 militares.
-- 4 oficiais. 3 engenheiros e 1 arquitecto. 1 engenheiro era o Comandante da Companhia,com a patente de capitão.
-- 13 sargentos
-- 138 soldados
Partida de Lisboa a 23 de Novembro de 1963. Regresso 1 de Março de 1966.
Em Moçambique a sede da Companhia foi sempre em Vila Cabral.

O post de hoje é dedicado aos Engenheiros da Ponte do Lugenda (Musoma).
Parabéns pela vossa obra de arte, ainda hoje está em pé, ou não fosse a 521 a fazer as fundações!

A foto e o texto foi uma contribuição de Irlando Tavares da CEng. 521

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Rotas de Mecula


Uma sugestão em tempo de férias, três caminhos para chegar a Mecula:
De Lichinga por Marrupa, Nanlicha, Lugenda (Mussoma).
O mais interessante é viajar a partir de Pemba por Montepuez.
Depois podem ir por, Balama, Nungo até Marrupa. O caminho mais curto é por Montepuez, Nairoto, Xixano e apanhar a "autoestrada" de Negomano até Lugenda.

Mbatamila é a sede da Reserva do Niassa, fica na picada do antigo Candulo (antes das pedreiras) com as seguintes coordenadas: (S 12 11 01 E 37 33 03 ).
As reservas de caça ficam ao longo do rio, na margem direita do Lugenda, até Negomano.
Boas férias!

sábado, 8 de agosto de 2009

O Saraiva "abria as tripas" ao RACAL

Podia não haver nada que comer... mas, o cantil com água, a espingarda G3 e o rádio RACAL não podiam faltar.
O RACAL TR_28, era um rádio emissor receptor desenvolvido pelos sul africanos em 1968. O rádio já era transistorizado, consomia menos energia.
Funcionava por canais. Tinha um comutador de canais que tem as "frequências gravadas" em "cristais". Os chamados "cristais" são umas peças que eram soldadas no circuito do rádio e que por vezes se "queimavam".
O furriel miliciano radio_montador, Saraiva, era muito "engenhocas" e competente. Ficava "stressado" quando tinha de esperar um mês ou mais pela volta dos equipamentos Racal enviados para reparação em Nampula.

Não sei a que propósito, encontrei o Saraiva numa esplanada de um café em Nampula (devíamos estar os dois de viagem de regresso de férias), e ele disse-me:
Vem comigo ali à oficina de radiotécnica.
Lá fomos à dita oficina, onde ele pediu ao sargento para lhe dispensar uns "cristais" para os nossos rádios Racal do BCaç. 2914.
Resposta: Ó nosso furriel não conhece as NEPs?
Não faz parte da sua competência... mexer no Racal lá no mato onde nem sequer ferramenta tem. Ora bem, em termos teóricos, estava certo, aquilo já era um equipamento de alta tecnologia... e podia ser queimado por um "habilidoso" qualquer que se atrevesse a mexer no aparato.
A tropa manda desenrascar.... o Saraiva foi falar com um irmão do alferes Baltazar da CCaç. 2706 (o meu amigo João)... e acabou por trazer para Mecula uma mão cheia de CRISTAIS, condensadores e resistências.
Ficou a promessa ao amigo João... se algum rádio se queimasse na oficina de Mecula depressa "morria" numa mina e depois se enviavam os estilhaços e o respectivo auto de destruição para a oficina de Nampula!

Acordo feito, material recolhido e lá vai o Saraiva para Mecula.
Uma coisa é certa: Nunca mais houve rádios, avariados em Mecula, em lista de espera! Com um simples multímetro e chaves de parafusos, alicate e ferro de soldar, o Saraiva abria as tripas ao Racal !

O post de hoje é dedicado ao Saraiva, que teve a coragem de se marimbar para as NEPs e resolver os problemas lá na frente de combate! Arranjou todos os rádios, que tanto jeito fizeram para salvar algumas vidas.

Um abraço para o Saraiva. Como ainda tenho boa memória ao fim de quarenta anos lembrei-me desta história. Embora sendo verídica, posso ter acrescentado um ponto e por essa razão vou chamar-lhe um conto.
Um conto de:
Ernesto Fernandes
Ex-furriel miliciano sapador do BCaç. 2914

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Chiulézi, uma espécie de Tarrafal !

Toda a gente que foi ao Chiulézi, passou pelo "Chapéu de Coco", tremeu de medo... ali era a segunda "fronteira" da guerra. A primeira seriam as "Pedreiras do Candulo", isto para quem viajasse no sentido de Mecula para o Chiulézi.



A ponte sobre o rio Chiulézi (agora, com um açude novo ?), seria a maior obra de arte da região!


As casernas "fritadeiras" tipo Tarrafal !


A cozinha "tradicional" do Chiulézi.


Uma cozinha reformada pelos novos residentes.

Também um dia passei pelo "Chapéu de Coco" ! Já não me lembra se tive medo (ia acompanhado pelo meu amigo furriel Gomes, isso deu-me alguma confiança...). Naquela viagem no dia 26 de Setembro de 1971, da qual já foi colocado um post neste blogue, em que houve minas fora dos locais habituais... e que tivemos a sorte de as neutralizar. Nesse dia constatei que na mesma guerra havia gente que estava pior do que nós em Mecula... e vivia ali "desterrada e marginalizada" !
Em Mecula havia ventoinhas eléctricas no refeitório do rancho geral, água "encanada" com pressão para fazer "jacuzi", campos de jogos, capela e missa dominical e uma cantina civil com café-restaurante, além do aldeamento para ir "namorar" !
Grande qualidade de vida!
Viver no Chiulézi (dois anos) naquelas condições... foi de facto "um massacre" ou não tendo medo de usar as palavras e dizer: foi um dos "horrores" da guerra colonial !
Hoje sabemos que o stress é das piores doenças.

Compreendo perfeitamente os camaradas da CCaç. 2705 e a sua mágoa e "independência" em relação ao Batalhão.
Foram de facto os mais sacrificados, muito embora os do Candulo também não tivessem umas instalações famosas !
Todos nós, milicianos e restante pessoal, não temos culpas no cartório. Essas decisões eram tomadas em frente ao Neutel de Abreu... na messe de oficiais... pelos "gajos" do Estado Maior!

Entendo que é tempo de voltarmos a reunir o "Batalhão dos Rangers" por inteiro como acontecia em Chaves em 1970 !
Infelizmente somos cada vez menos... este ano também fui ao almoço da CCaç. 2705 e soube há dias que a pessoa que esteve a meu lado já faleceu.
Trata-se do alferes Andrade, que foi vítima de doença cardíaca! Paz a sua alma.


O post de hoje é dedicado aos camaradas de CCaç.2705 do BCaç.2914.

As fotos do Chiulézi foram uma contribuição, para o blogue, de Ferreira Pinto ex-furriel miliciano mecânico da CArt 3556 do BArt 3887, que também esteve no Chiulézi (1972-1974).

Um texto de:
Ernesto Fernandes
Ex-furriel miliciano sapador do BCaç.2914

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O TROVADOR do Chiulézi

Pedrosa, a costurar, ao lado do seu amigo Gomes.


Pedrosa, ex-furriel miliciano Atirador RANGER, da CCaç.2705 do BCaç.2914, era uma espécie de "Zeca Afonso ambulante", usava duas armas: a G3 e a viola!
Do Lussanhando até Marrupa, passando pelo Chiulézi, Candulo, Mecula, Mussoma, Nanlicha e Marrupa foram os palcos onde este "TROVADOR do Chiulézi" deu música ao pessoal.
Dava gosto ouvi-lo cantar e interpretar o "Cancioneiro do Niassa"!

O post de hoje é uma justa homenagem póstuma ao Pedrosa, (infelizmente já faleceu, vítima de doença.)
Deixou uma vasta obra escrita sobre a guerra no Chiulézi. Vamos pedir aos seus amigos mais chegados e à sua família autorização para publicar no blogue alguns capítulos da sua obra.

Pedrosa, Paz à tua alma!

Ernesto Fernandes
Ex- Furriel Mil. Sapador do BCaç. 2914

Poema de um Amigo !

(Clicar com o rato para ampliar e conseguir ler o poema)

António Rosa, escreveu assim:
Estimado Fernandes
Prometi no meu último correio que seguiria "dando guerra" e aqui estou com esse propósito, e como prova, envio-te este poema, escrito pelo amigo e ex-companheiro Tenente Coronel Adriano Miranda Lima que,em 1972 ,era o capitâo comandante da CART 3558/BART3887.
Espero que consideres interessante a sua publicação no blogue, como homenagem aos companheiros do BART3887 e a todos aqueles que por essas longínquas terras passaram ".

Desde Málaga-Espanha um abraço do amigo

António Rosa, ex furriel mecânico de armas da CCS do BArt.3887.

Este post é dedicado a todo o pessoal do BArt. 3887, com belíssimo poema sobre terras de Mecula .